
Foi engraçado lembrar agora.
Ele abriu os braços e subiu no cupinzeiro do campinho ao lado de casa. Ele levantava as mãos, e sempre que ele abre os braços, o vento sopra contra ele. E quanto mais alto ele levanta os braços, e grita para o vento soprar, mais forte o vento sopra. Parece que aquele garoto gordinho em cima do cupinzeiro domina o vento.
Ele balançava os braços de um lado para o outro como se o vento obedecesse aos seus comandos. De alguma forma ele acreditava nos super poderes de dominação do ar. Do nada ele corria pelo campo de futebol improvisado e girava no meio por tempos até cair no chão.
Ele não era louco, ele era uma criança boa. Tinha lá seus oito ou sete anos. Era feliz. Levanta-se quando os amigos chegam pra jogar bola. Corria, corria, corria, pulava e gritava gol. Até quando os outros meninos se cansavam. Sentavam no meio do campo e brincavam. Eles riam a cada 3 minutos. Der repente suas mães gritam nos portões, e cada um segue o rumo de casa. Mas o gordinho de roupa surrada continua correndo. Ele não vai parar? Os outros entram nas suas casas, exaustos, e ele corre, toma banho e senta na cama com o prato de arroz, feijão e um treco verde que a mãe colocou no seu prato, ele não gosta. Mas se não comer fica sem o pavê de sonho de valsa que esta na geladeira.
Assiste novela com a mãe e seu irmão já esta dormindo na cama ao lado. Cadê seu pai garoto gordinho? Ah, ele não vem pra casa esse fim de semana. Esta trabalhando fora. Assim que acaba a novela, ele quer ver o filme que vai passar, e a mãe desliga a TV. Ele mesmo sem querer tem que dormir. Logo cedo tem escola. Esse é o primeiro ano. Você tem que se esforçar garoto gordinho. Sua mente esta á mil ainda garoto gordinho? Sabe que você vai estar no meu lugar um dia? Você vai escrever essa historia um dia. sabia?
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